O Brasil ainda enfrenta um desafio expressivo na área da alfabetização. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2024 apontam que 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais permanecem sem saber ler e escrever em todo o país.
Para ampliar o acesso à educação básica e facilitar o retorno aos estudos, o Governo Federal lançou uma ferramenta inédita voltada ao público que não concluiu a escolaridade na idade adequada. A iniciativa recebeu o nome de É o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA)
A plataforma reúne informações sobre a oferta de vagas em turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e permite que interessados registrem o desejo de retomar os estudos. Com o cadastro realizado, as redes de ensino passam a identificar os alunos em potencial e organizar as matrículas em aulas presenciais em diferentes regiões do país.
Segundo a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), Zara Figueiredo, o sistema surge como um instrumento estratégico para aproximar a demanda existente da estrutura disponível nas redes educacionais.
Ela destacou que uma das principais dificuldades enfrentadas pelo público da EJA — especialmente entre pessoas idosas e não alfabetizadas — é justamente localizar escolas e realizar matrículas. Ao mesmo tempo, há baixa mobilização em ações de busca ativa por parte das instituições de ensino, o que contribui para manter elevados os índices de analfabetismo.
Para facilitar o acesso, o CadEJA foi desenvolvido com um sistema simplificado. O cadastro pode ser feito diretamente na plataforma e conta, inclusive, com recursos de áudio para auxiliar usuários com dificuldades de leitura. Após o preenchimento das informações, as redes de ensino analisam os dados e buscam a melhor opção de vaga, considerando fatores como turno disponível e localização do estudante.
Na etapa seguinte, o interessado é contatado e orientado sobre os procedimentos necessários para concluir a matrícula. De acordo com a secretária, a simplicidade do sistema faz parte da estratégia da política pública voltada à ampliação do acesso à educação.
Ainda segundo Zara Figueiredo, pessoas que não tenham autonomia para preencher o cadastro poderão contar com o auxílio de familiares, pessoas de confiança ou profissionais ligados à política educacional. Em caso de necessidade, também será possível buscar orientação em unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) nos municípios.
Além de facilitar o ingresso de estudantes, a ferramenta permitirá mapear a demanda por região com maior precisão. A integração dos dados ajudará no planejamento das redes de ensino, possibilitando acompanhar a relação entre procura por vagas e disponibilidade existente.
Com o novo sistema, interessados poderão realizar o cadastro de qualquer local, seja em casa ou no ambiente de trabalho. As informações registradas alimentarão um banco de dados nacional que permitirá às redes educacionais identificar onde há maior necessidade de oferta de turmas da EJA.
Até a criação do CadEJA, não existia um canal centralizado — digital ou físico — para reunir essas informações. Na prática, a identificação de estudantes interessados dependia, em grande parte, da atuação direta de educadores e equipes locais nas comunidades.
Pacto Nacional
A nova plataforma faz parte do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), política pública que busca ampliar o nível de escolaridade da população que não concluiu os estudos na idade adequada.
Ao longo de 2025, o programa já alcançou mais de 200 mil pessoas em ações de alfabetização e mobilizou cerca de 80 mil profissionais em atividades de formação. A previsão do governo é investir R$ 4 bilhões até 2027 em iniciativas voltadas à redução do analfabetismo entre jovens e adultos em todo o Brasil.
* Com informações Agência Gov.