Uma dor de cabeça diferente do habitual foi o primeiro sinal de alerta para o jovem Eduardo Guerra, de 30 anos, que acabou diagnosticado com um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico após procurar atendimento médico. Inicialmente tranquilizado por profissionais de saúde devido à idade, ele precisou ser internado por cinco dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após a confirmação do quadro.
O episódio vivido por Eduardo reflete uma realidade cada vez mais frequente no Brasil. Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a doença tem atingido um número crescente de adultos jovens, o que tem preocupado especialistas da área da saúde.
Estatísticas nacionais mostram que o AVC provoca uma morte a cada seis minutos no país. Além disso, nos últimos dez anos, houve aumento de 66% na incidência do tipo isquêmico — causado pela obstrução de vasos sanguíneos — entre pessoas com menos de 45 anos. Somente nos três primeiros meses deste ano, mais de 20 mil mortes foram registradas em decorrência da condição.
Dias antes do diagnóstico, o paciente percebeu sintomas diferentes dos que estava acostumado a sentir. Ele relatou ter apresentado uma enxaqueca intensa acompanhada de aura, caracterizada pela presença de pontos brilhantes e flashes de luz na visão, algo que nunca havia ocorrido anteriormente.
Após buscar atendimento médico e receber medicação para dor, o quadro voltou a se manifestar pouco tempo depois, desta vez com sintomas mais graves. Entre os sinais apresentados estavam perda temporária de visão, audição e força nos braços, características típicas de um AVC.
Exames realizados durante a internação confirmaram que se tratava de um AVC isquêmico, considerado o tipo mais comum da doença. Durante a investigação clínica, também foi identificada a síndrome da vasoconstrição cerebral reversa (SVCR), condição que provoca espasmos súbitos nas artérias cerebrais e reduz o fluxo sanguíneo.
Outro dado revelado durante os exames chamou atenção da equipe médica: havia indícios de que o paciente já havia sofrido um AVC anterior em algum momento da vida, possivelmente ainda mais jovem, sem ter percebido os sintomas.
Após a recuperação, Eduardo decidiu tornar pública sua experiência com o objetivo de alertar outras pessoas sobre os sinais da doença e a importância de buscar atendimento médico diante de sintomas incomuns.
Especialistas apontam que o crescimento dos casos entre jovens está diretamente relacionado a mudanças no estilo de vida. O médico neurocirurgião Orlando Maia explica que fatores genéticos aliados a hábitos inadequados têm contribuído para o aumento da incidência da doença nessa faixa etária.
Entre os principais fatores de risco destacados estão o uso de hormônios e anabolizantes, além de condições comuns na rotina atual, como estresse constante, alimentação inadequada e privação de sono.
Esses fatores favorecem o surgimento precoce de doenças como hipertensão e diabetes, que estão entre as principais causas associadas ao desenvolvimento do AVC.
Quando ocorre um episódio, o tempo de atendimento é determinante para evitar sequelas. Isso porque a falta de oxigenação adequada no cérebro por poucos minutos já pode provocar danos permanentes.
De modo geral, os sintomas aparecem de forma súbita e exigem atenção imediata. Entre os principais sinais estão fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras, dor de cabeça intensa fora do padrão habitual, alterações na visão ou audição e perda de equilíbrio.
Para facilitar a identificação precoce, profissionais de saúde recomendam o uso do teste conhecido como SAMU. O método consiste em observar possíveis alterações no sorriso, dificuldade para levantar os braços e problemas na fala. Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
* Com informações G1 Saúde