Uma troca de mensagens obtida pela Polícia Civil expõe o momento em que um adolescente de 14 anos, morador do Rio de Janeiro, avisa à namorada, de 15 anos, residente em Mato Grosso, que irá matar os próprios pais “mais cedo do que imaginava”. Os dois estão apreendidos e cumprem medidas socioeducativas — ele no Rio, e ela em Cuiabá.
O conteúdo foi divulgado pelo programa Cidade Alerta RJ, da TV Record. Nele, o jovem relata que tem um plano para assassinar os pais e define que o crime ocorrerá no dia 25, ressaltando que os tiros seriam a forma “mais garantida”. No entanto, conforme a confissão do próprio adolescente, os assassinatos aconteceram no dia 21 de junho.
Na ocasião, o menor matou o pai, Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, a mãe, Inaila Teixeira, de 37, e o irmão caçula, Antônio Teixeira, de apenas 3 anos. Após os crimes, os corpos foram escondidos em uma cisterna no quintal da residência da família, localizada na capital fluminense, e só foram encontrados três dias depois, no dia 24.
A investigação apontou que a namorada, moradora de Água Boa (MT), foi uma das principais incentivadoras do triplo homicídio. Os dois mantinham um relacionamento virtual há cerca de seis anos, desde que se conheceram em um jogo online, ainda aos 9 anos de idade.
Logo após a descoberta do crime, a adolescente foi ouvida pela polícia e, posteriormente, apreendida. Em seu computador, foram localizadas mensagens que demonstram envolvimento direto e incentivo ao assassinato da família do garoto.
Ela foi transferida para uma unidade socioeducativa em Cuiabá, onde aguarda os desdobramentos do processo judicial. O adolescente permanece internado no Rio de Janeiro.
Segundo o delegado Matheus Soares, as conversas entre os dois adolescentes revelam um nível de frieza perturbador. “Ela foi uma incentivadora ativa. Detectamos trocas de mensagens com detalhes sobre como matar os pais e o que fazer com os corpos. É algo que choca”, afirmou.
Durante a execução do crime, os dois mantinham contato em tempo real. Após o adolescente atirar no pai, relatou o ato à namorada, que respondeu: “Agora atira nela”, referindo-se à mãe. A participação dela, segundo a polícia, ficou evidente.
Mesmo após o triplo homicídio, o casal continuou trocando declarações de amor. Em uma das mensagens, a garota disse estar orgulhosa do namorado: “Nunca imaginei que alguém faria isso por mim”, escreveu, referindo-se ao crime como uma prova de amor.
O estopim para o assassinato, segundo as investigações, teria sido a decisão dos pais de proibir o garoto de viajar a Mato Grosso para encontrar a jovem. “Foi essa negativa que motivou o crime, uma tentativa de eliminar os obstáculos ao relacionamento dos dois”, afirmou o delegado.
O plano, conforme apuração da polícia, não parava por aí. O casal ainda discutia a possibilidade de, uma vez juntos em Mato Grosso, matarem os pais da adolescente. “Eles idealizavam uma vida juntos, e estavam dispostos a eliminar qualquer um que se colocasse no caminho desse suposto amor”, concluiu Soares.
Cidade Alerta/RJ
