Um adolescente de 15 anos, morador de Rondonópolis (MT), foi identificado pela Polícia Civil como um dos administradores de uma sala no Discord onde ocorreu uma transmissão ao vivo do esquartejamento de um gato. A cena, acompanhada por aproximadamente 400 pessoas, chamou a atenção das autoridades pela brutalidade e pelo engajamento do público, que incentivava as agressões com mensagens como “espeta o olho dele” e “corta a cabeça fora”.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (27) pelo delegado Gustavo Godoy, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCI), durante coletiva de imprensa. O adolescente já havia sido alvo de uma investigação anterior, na qual seus aparelhos eletrônicos foram apreendidos. Mesmo assim, voltou a reincidir nos comportamentos infracionais após recuperar o acesso ao celular, segundo o delegado.
As ações mais recentes fazem parte da "Operação Mão de Ferro 2", deflagrada com base em dados enviados pelo Ministério da Justiça, que apontaram a atuação do grupo em práticas que envolvem incentivo à automutilação, maus-tratos a animais e outros atos violentos. O adolescente também foi investigado, em abril deste ano, na operação “Discordância”.
De acordo com Godoy, entre os diversos conteúdos de teor extremo, conhecidos como “gore”, a cena do gato sendo morto ao vivo foi uma das mais perturbadoras. “É um material que choca até quem já está acostumado a lidar com crimes violentos”, afirmou.
Embora não tenha sido o autor direto da morte do animal, o adolescente tinha papel ativo na organização do grupo, o que, segundo o delegado, foi suficiente para reforçar o pedido de internação. “Ele era um dos administradores e facilitava a veiculação desses conteúdos. Mesmo sem ser o executor do ato, sua responsabilidade é clara.”
A Polícia Civil segue investigando outros integrantes do grupo e não descarta novas ações contra envolvidos na disseminação e incentivo a práticas criminosas em ambientes virtuais.