A publicação do laudo psiquiátrico que classificou o padrasto de Gleice Kelli Geraldo de Souza como inimputável provocou forte comoção entre familiares da vítima neste domingo (16), em Lucas do Rio Verde (MT). O documento afirma que o acusado não teria plena capacidade de entender seus atos no momento do crime, o que pode resultar na aplicação de medidas de segurança, e não de pena convencional.
A decisão gerou imediata reação da filha de Gleice, que recorreu às redes sociais para expressar indignação e cobrar justiça. Nas postagens, ela questiona a conclusão da perícia e descreve o impacto que o caso ainda provoca na rotina da família.
“Como que alguém faz tudo aquilo e dizem que ele não sabia o que estava fazendo?”, escreveu. Em outro trecho, desabafou: “Para nós isso não acabou. Minha mãe não volta e minha irmã luta todos os dias para se recuperar. A dor continua aqui.”

A jovem afirma que a irmã que sobreviveu ao ataque ainda enfrenta dores, limitações e medo constante.
“Minha irmã revive tudo, sente dor, sofre crises. E agora dizem que ele não tinha consciência? É muito difícil aceitar.”, disse.
As publicações rapidamente repercutiram entre moradores da cidade, que manifestaram apoio e solidariedade à família. Comentários destacam a dificuldade de lidar com o andamento do processo e o temor de que o caso receba um desfecho considerado brando.
“É um sentimento de impotência. A gente tenta seguir, mas cada nova notícia machuca de novo. Queremos justiça, nada além disso.”, escreveu a filha.

O que o laudo representa na prática
Segundo especialistas, a inimputabilidade não implica absolvição, mas mudança no tipo de responsabilização. Em vez de pena tradicional, o acusado pode ser submetido a medidas de segurança, como internação psiquiátrica, com avaliações periódicas.
A possibilidade preocupa a família, que teme um desfecho menos rigoroso diante da gravidade do crime.
Com o laudo anexado ao processo, caberá ao Ministério Público analisar o conteúdo e decidir se solicitará um contralaudo, procedimento comum quando há divergência entre percepções da família, da acusação e da perícia técnica. O Judiciário também deve avaliar o impacto da conclusão nas etapas seguintes.
Relembre o caso
Gleice Kelli Geraldo de Souza foi morta em junho deste ano, em Lucas do Rio Verde, em um ataque que também deixou sua filha ferida. De acordo com a investigação, o crime aconteceu dentro da própria casa da família e teria sido cometido pelo padrasto, que fugiu após a agressão.
A filha sobrevivente contou que a mãe tentou se defender e que o ataque foi rápido e inesperado. Vizinhos acionaram as autoridades após ouvirem gritos, e Gleice chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso provocou forte comoção na cidade, gerou mobilização da comunidade e ampliou o debate sobre violência doméstica. Desde então, o processo segue com oitivas, perícias e análises técnicas.
Caso ainda mobiliza a cidade
A família afirma que seguirá acompanhando cada etapa do processo e cobrando rigor nas decisões.
“Nós vamos até o fim. A minha mãe merece ser lembrada e respeitada. Nós merecemos justiça.”, concluiu a filha.
