A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), a Operação Domínio Fantasma, que investiga um amplo esquema de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro com base em Cuiabá. O contador Eduardo Martins foi identificado como um dos principais articuladores do grupo criminoso, responsável por criar centenas de empresas de fachada usadas em golpes de e-commerce e movimentações financeiras ilegais.
De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), Eduardo utilizava seus conhecimentos técnicos para abrir mais de 300 CNPJs entre 2020 e 2024. Parte dessas empresas já havia sido encerrada ou suspensa, e quase todas estavam registradas em um mesmo endereço na capital, uma sala comercial sem identificação, usada apenas como fachada.
Nas redes sociais, o contador se apresentava como “especialista em contabilidade digital”, com foco em dropshipping e iGaming, e exibia uma vida de alto padrão, marcada por viagens internacionais e movimentação financeira incompatível com sua renda declarada.
A polícia apurou que ele criava empresas em nome de “laranjas”, geralmente jovens de baixa renda residentes em outros estados, para registrar sites falsos de diferentes segmentos, de brinquedos e roupas a cosméticos e eletrônicos. Em um dos casos, o grupo chegou a clonar o site de uma marca famosa para enganar consumidores.
Os falsos e-commerces eram impulsionados com anúncios patrocinados nas plataformas digitais. As vítimas realizavam compras e efetuavam o pagamento via Pix ou cartão, mas os produtos nunca eram entregues. As páginas acumulavam inúmeras reclamações de consumidores lesados.
A operação
A operação cumpriu 33 ordens judiciais em Cuiabá e Sorriso, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão e sequestro de bens. Durante as diligências, foram apreendidos veículos de luxo, armas de fogo e grande quantia em dinheiro vivo, além de documentos e equipamentos usados nas fraudes.
Investigações em andamento
Eduardo Martins responderá por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime contra as relações de consumo. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e calcular o prejuízo total causado às vítimas em diversos estados brasileiros.
A Polícia Civil destaca que o grupo possuía uma estrutura complexa e operava em nível nacional, com atuação concentrada na criação de empresas fantasmas e manipulação de dados fiscais para dar aparência de legalidade aos golpes.