O desabamento da estrutura que cobria as arquibancadas do autódromo do Parque Novo Mato Grosso, ocorrido durante o treino da Stock Car, deixou 36 proprietários de veículos no prejuízo e, até agora, sem qualquer encaminhamento oficial. As vítimas afirmam que, mesmo após diversas promessas, nenhuma medida concreta foi tomada pelo governo estadual.
O acidente ocorreu na véspera da inauguração do complexo, quando um forte temporal derrubou as estruturas metálicas sobre os carros estacionados. Na ocasião, o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, Davi Moura, declarou que todas as vítimas seriam assistidas. Entretanto, segundo os relatos, nada avançou desde então.
O empresário Jean Gomes Santos, 38 anos, estava com a família na arquibancada Oeste. Ele conta que chegou ao parque por volta das 21h e estacionou conforme instruções de um funcionário que orientava o fluxo de veículos. Pouco depois, percebeu que as estruturas começavam a oscilar com a ventania.
Minutos depois, parte da arquibancada desabou sobre seu carro, uma caminhonete S-10 usada diariamente em sua empresa de terraplanagem.
“Foi um caos. Muita gente correndo, crianças chorando. Quando olhei, uma torre tinha caído em cima da minha caminhonete. Amassou coluna, quebrou retrovisor, furou o teto. Perdi o acesso ao carro e aos meus documentos. E é o veículo que uso para trabalhar”, relata.
Jean afirma que o secretário Davi Moura prometeu transporte, chaveiro e apoio imediato, mas nada foi cumprido. Sem alternativa, precisou da ajuda do irmão para voltar para casa. No dia seguinte, voltou ao autódromo e foi informado que até a semana seguinte haveria definição sobre quem seria indenizado, o que não ocorreu.
“O secretário viajou e nunca mais tivemos retorno. São 14 dias de silêncio. Meu conserto ficou em R$ 24 mil, mais R$ 7 mil de franquia. Dizem que está ‘travado na seguradora’. Ficamos largados”, afirma o empresário.
Com o veículo parado, a rotina de sua empresa também foi afetada. “A máquina está parada porque não consigo abastecer. Somos 36 pessoas nessa situação e ninguém nos dá satisfação.”
Motorista de aplicativo passou noites no local após perder o carro
O motorista de aplicativo Roberto Rodrigues, 42 anos, também estava no evento com as filhas e os netos. Ele conta que estacionou no setor Sul e, menos de 15 minutos depois de subir na arquibancada, o vendaval derrubou toda a cobertura.
“Meu carro ficou completamente prensado pela estrutura. A polícia e o Corpo de Bombeiros avisaram que havia risco de choque, então ninguém podia tirar os veículos”, lembra.
Sem condições de deixar o local, Roberto e a família passaram noites no autódromo.
“Dormimos no frio, sem comida, esperando algum socorro. Disseram que mandariam lanche, almoço… nada chegou. Ficamos quinta, sexta e sábado ali. Pediram BO, orçamento, documentos. Até agora, nenhuma resposta.”
O reparo do carro foi estimado em R$ 5 mil. Sem o veículo, ele está impedido de trabalhar.
“O governo joga para a seguradora, a seguradora joga de volta para o governo. E enquanto isso, minha família depende de mim. Estamos sem solução.”
Comunicação com seguradora não avança
Os prejudicados afirmam que um representante da seguradora chegou a criar um grupo de WhatsApp para manter contato. No entanto, a comunicação teria enfraquecido nos últimos dias. Segundo as vítimas, a empresa confirma ter recebido boletins de ocorrência e orçamentos, mas não informa prazo ou encaminhamento.
Governo não se manifesta
A reportagem buscou a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) para esclarecer a situação e questionar o andamento das indenizações. Até o fechamento deste texto, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.