Por decisão unânime, a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou a prisão domiciliar humanitária do ex-prefeito de Dom Aquino, Eduardo Zeferino, de 71 anos. Ele cumpre pena de 30 anos, 11 meses e 20 dias de reclusão por estuprar cinco crianças, com idades entre 7 e 11 anos, em crimes praticados em 2005.
A medida foi concedida no último dia 6, após análise de habeas corpus apresentado pela defesa. Entre os fundamentos acolhidos pelos desembargadores estão a idade avançada, o estado de saúde debilitado e as condições enfrentadas pelo condenado na unidade prisional, onde, segundo os autos, estaria dormindo no chão por falta de leito.
Conforme laudos e documentos anexados ao processo, o ex-prefeito apresenta uma série de doenças crônicas, incluindo hipertensão, diabetes, artrose bilateral, tendinite nos joelhos, bursite e outras complicações ortopédicas que exigem acompanhamento médico e fisioterapia contínua. A defesa também relatou perda de peso e episódios frequentes de mal-estar.
No voto, o relator do caso, desembargador Rui Ramos Ribeiro, confirmou decisão liminar anteriormente concedida e determinou a manutenção do réu em prisão domiciliar, sob condições específicas.
Antes disso, Eduardo Zeferino já havia cumprido parte da pena em casa durante a pandemia da Covid-19, por integrar grupo de risco. Contudo, em junho do ano passado, retornou ao regime fechado após violar 49 vezes as regras do monitoramento eletrônico.
A nova decisão impõe restrições rigorosas. O condenado deverá comprovar endereço fixo, está proibido de sair de casa sem autorização judicial — salvo em casos de emergência médica —, terá de comparecer mensalmente em juízo e não poderá mudar de residência sem comunicar previamente à Justiça. Também fica vedada a frequência a bares e casas noturnas.
Além dessas determinações, o uso de tornozeleira eletrônica foi restabelecido como forma de fiscalização do cumprimento da pena em regime domiciliar.