A Justiça de Mato Grosso decidiu manter sob prisão preventiva o advogado Rodrigo da Costa Ribeiro, detido durante a Operação Efetá, ação coordenada pela Polícia Civil na quarta-feira (3). A conversão da prisão aconteceu em audiência de custódia, após análise do material coletado.
Durante o cumprimento dos mandados, equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (Denarc) estiveram no apartamento do investigado, localizado no condomínio Brasil Beach, em Cuiabá. No endereço, foram recolhidos uma arma de uso restrito e diversos objetos cortantes, que agora compõem o conjunto de provas do inquérito.
As apurações indicam que Rodrigo seria parte de uma organização criminosa focada em lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, com movimentação financeira que, segundo estimativas, ultrapassa R$ 500 milhões. O esquema utilizava empresas de fachada, contas em nome de terceiros e estruturas empresariais criadas para ocultar a origem do capital.
Um dos mecanismos usados pelo grupo consistia em fracionar valores e distribuí-los entre contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, prática que dificultava o monitoramento das transações. Em uma das situações investigadas, um membro da organização teria movimentado quase R$ 295 milhões sozinho.
A operação resultou na expedição de 148 medidas judiciais pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Cuiabá, incluindo buscas, bloqueio de contas, sequestro de bens e apreensão de veículos. As ações foram realizadas em municípios de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e outras localidades.
OAB-MT decide suspender advogado após prisão
Após a detenção, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso optou por suspender preventivamente Rodrigo, decisão adotada pelo Tribunal de Ética e Disciplina. A medida, segundo a entidade, tem caráter cautelar e visa preservar a imagem institucional da advocacia.
No imóvel do investigado, além da arma de fogo, os policiais apreenderam um carregador de pistola 9 mm, nove munições intactas, um simulacro e um rádio comunicador lacrado. A OAB-MT acompanhou a ação para assegurar o respeito às garantias profissionais.
Já a direção da entidade afirmou que solicitará informações adicionais à Secretaria de Estado de Segurança Pública, com o intuito de avaliar novos procedimentos e eventuais desdobramentos administrativos.