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Quando a Cultura Normaliza a Violência

Mudam-se os personagens, permanece a violência.

Quando a Cultura Normaliza a Violência
Imagem: Arquivo Pessoal

Ei, pare um instante e lembre-se de Olívia Palito. A mulher magra, de vestido vermelho, sempre no centro da disputa entre Popeye e Brutus. Durante décadas, aceitamos Popeye como entretenimento inofensivo: força, humor e uma “donzela” em jogo. Vista com olhos adultos, a cena se transforma. O riso encobria uma violência estrutural, apresentada como diversão.

Olívia não é a figura frágil dos contos de fadas. Trabalha e vive com autonomia. Ainda assim, nas relações afetivas, perde espaço e poder de decisão. A independência econômica não se converte em liberdade de escolha. No enredo, ela existe, mas não decide. Oscila entre a brutalidade e a falsa proteção porque a lógica da história nunca lhe deu o direito de escolher.

O silêncio de Olívia é tratado como traço de personalidade. A insegurança e o medo servem de cenário para a disputa masculina. O que deveria provocar reação vira espetáculo.


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