O Tesouro Nacional divulgou nesta quarta-feira (26) que a Dívida Pública Federal (DPF) apresentou queda de 0,87% em janeiro de 2025, recuando de R$ 7,316 trilhões em dezembro para R$ 7,253 trilhões no mês passado. A redução é atribuída principalmente ao alto volume de vencimentos de títulos prefixados e de papéis emitidos no exterior.
Mesmo com a queda, o endividamento continua abaixo do previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no início de fevereiro, que estima um encerramento de 2025 com a DPF entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Vale lembrar que em junho do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira dos R$ 7 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no país, registrou queda de 0,23%, passando de R$ 6,967 trilhões em dezembro para R$ 6,176 trilhões em janeiro. O Tesouro resgatou R$ 79,97 bilhões em títulos a mais do que emitiu no mês passado, especialmente em papéis prefixados. Esse recuo foi parcialmente compensado pela apropriação de R$ 63,97 bilhões em juros.
No mês passado, as emissões de títulos da DPMFi atingiram R$ 145,39 bilhões, o maior volume desde maio do ano passado. Contudo, com o alto volume de vencimentos em janeiro, os resgates totalizaram R$ 255,28 bilhões, o maior montante desde agosto.
Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve uma queda mais acentuada de 13,57%, passando de R$ 349,19 bilhões em dezembro para R$ 301,81 bilhões em janeiro. Os principais fatores foram o vencimento de aproximadamente US$ 5 bilhões (R$ 29,92 bilhões) no fim de janeiro e a desvalorização de 5,85% do dólar frente ao real no mês passado.
Colchão da dívida
Após três meses consecutivos de alta, o colchão da dívida pública – reserva financeira utilizada em momentos de turbulência ou forte concentração de vencimentos – recuou de R$ 860 bilhões em dezembro para R$ 744 bilhões em janeiro. Segundo o Tesouro Nacional, o principal motivo foi o expressivo resgate líquido no mês passado.
Atualmente, o colchão cobre 6,72 meses de vencimentos da dívida pública. Para os próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,221 trilhão em títulos federais.
Composição da dívida
A composição da DPF sofreu alterações significativas em janeiro:
- Títulos prefixados: a proporção caiu de 21,99% em dezembro para 20,15% em janeiro, ainda dentro do intervalo previsto pelo PAF para o fim de 2025 (entre 19% e 23%)
- Títulos corrigidos pelos juros básicos: aumentaram de 46,29% para 47,98%, aproximando-se da faixa prevista no PAF (entre 48% e 52%) devido ao maior interesse dos investidores em função das recentes altas da Selic
- Títulos corrigidos pela inflação: subiram de 26,96% para 27,72%, dentro do intervalo previsto pelo PAF (entre 24% e 28%)
- Dívida vinculada ao câmbio: reduziu de 4,76% para 4,15%, permanecendo dentro dos limites estabelecidos (entre 3% e 7%)
O prazo médio da DPF aumentou de 4,05 anos para 4,11 anos, indicando maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos.
Principais detentores
As instituições financeiras seguem como principais detentoras da Dívida Pública Federal interna, com 29,1% de participação no estoque. Os fundos de pensão (24,4%) e os fundos de investimento (22,1%) aparecem na sequência.
A participação de investidores estrangeiros caiu de 10,2% em dezembro para 9,9% em janeiro, apesar da redução da instabilidade no mercado externo. Em novembro, este percentual havia atingido 11,2%, o maior nível desde dezembro de 2018. Os demais grupos somam 14,5% de participação.
A dívida pública é o instrumento pelo qual o governo capta recursos de investidores para honrar compromissos financeiros, comprometendo-se a devolver os valores após determinado período, com correção que pode seguir a taxa Selic, a inflação, o dólar ou ser prefixada.