A consolidação de Mato Grosso como potência agroindustrial passa, cada vez mais, pela infraestrutura. Dados da Receita Federal compilados pelo Observatório de Mato Grosso, da Federação das Indústrias (Fiemt), apontam crescimento de 30% no número de indústrias e empresas de grande porte instaladas no Estado, resultado associado à ampliação da malha rodoviária e ao avanço dos projetos ferroviários.
As informações foram detalhadas pelo secretário adjunto de Indústria, Comércio e Incentivos Programáticos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Anderson Lombardi, que atribui o desempenho ao conjunto de investimentos estruturais e políticas de incentivo ao setor produtivo.
Desde 2019, o Governo do Estado contabiliza 6.189 quilômetros de rodovias estaduais asfaltadas, incluindo trechos municipais executados por meio de convênios com prefeituras e associações. O volume supera a meta inicial prevista e, segundo dados oficiais, representa um marco histórico na infraestrutura estadual.
Além da pavimentação, outros 3.732 quilômetros passaram por recuperação. A manutenção da malha viária é considerada estratégica, especialmente em regiões com forte circulação de caminhões ligados ao agronegócio e à indústria de transformação. A melhoria das estradas reduz custos operacionais, aumenta a segurança no transporte e amplia a previsibilidade logística.
Ferrovias elevam competitividade internacional
No campo ferroviário, dois projetos estruturantes ganham destaque. A Ferrovia Estadual, construída pela empresa Rumo, terá 162 quilômetros em sua primeira etapa, ligando Rondonópolis a Campo Verde e Dom Aquino. A obra está com aproximadamente 73% de execução e tem previsão de operação no segundo semestre de 2026.
Já a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) prevê 1.641 quilômetros de extensão, conectando Mato Grosso e Goiás à Ferrovia Norte-Sul, o que amplia o acesso aos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA). A proposta é encurtar distâncias logísticas, reduzir custos e ampliar a competitividade dos produtos mato-grossenses nos mercados nacional e internacional.
Segundo Lombardi, a integração ferroviária pode diminuir em até 10 a 15 dias o tempo de transporte para mercados asiáticos, dependendo da rota utilizada. A estratégia também contempla a chamada rota bioceânica, que busca conexão com portos no oeste da América do Sul.
Indústria em ritmo acelerado
Paralelamente aos investimentos logísticos, o parque industrial mato-grossense segue em expansão. Entre janeiro e outubro de 2025, 2.727 novas indústrias, excluindo microempreendedores individuais, foram abertas e permanecem ativas no Estado, conforme levantamento da Receita Federal compilado pela Fiemt.
Para o governo estadual, o ambiente favorável é resultado da combinação entre incentivos fiscais, segurança jurídica, disponibilidade de energia e presença institucional em feiras e eventos nacionais e internacionais. O tema foi abordado por Lombardi em entrevista ao programa Apro 360, da Aprosoja.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico afirma que a estratégia de crescimento passa pela diversificação da base produtiva, com atração de indústrias de transformação, agroindústrias e novos segmentos industriais.
Impacto estrutural
Especialistas em logística avaliam que a redução de gargalos no transporte é determinante para estados exportadores. A diminuição de custos e do tempo de deslocamento influencia diretamente o preço final dos produtos e amplia a inserção em novos mercados.
Dados em destaque:
6.189 km de rodovias asfaltadas desde 2019;
3.732 km de rodovias recuperadas;
162 km na primeira fase da Ferrovia Estadual;
1.641 km previstos para a Fico;
30% de crescimento no número de indústrias e grandes empresas.
A consolidação desses investimentos será decisiva para medir os reflexos de longo prazo na geração de empregos, arrecadação e diversificação econômica. Em um Estado cuja produção já ocupa posição estratégica no cenário nacional, a logística surge como eixo central de um novo ciclo de desenvolvimento.