A Escola de Saúde Pública de Mato Grosso (ESP-MT), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), deu início nesta segunda-feira (10) à terceira turma do Curso de Especialização em Hansenologia. A aula inaugural, realizada no auditório do Conselho Regional de Medicina (CRM), trouxe uma novidade: os alunos foram imediatamente inseridos em atividades práticas no Centro de Referência de Média e Alta Complexidade (Cermac).
O curso, que visa qualificar profissionais da saúde para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com hanseníase, tem carga horária de 440 horas. A programação inclui aulas presenciais, workshops, estudos de caso e visitas às unidades de saúde. A hanseníase, embora seja uma doença crônica e transmissível, tem cura e seu tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
"Nós vamos atender 120 pacientes, entre segunda e terça-feira, com os alunos dessa terceira turma, acompanhados pelos especialistas da primeira e segunda turma", explicou Silvia Tomaz, superintendente da Escola de Saúde Pública. Segundo ela, a aula inaugural desta turma foi diferenciada por colocar os alunos imediatamente em contato com a prática clínica, permitindo-lhes observar e participar de ações educativas, diagnósticos e tratamentos sob supervisão dos professores.
Com a formação da terceira turma, a ESP-MT e a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) ampliam o ciclo de formação de hansenólogos para as 16 Regiões de Saúde de Mato Grosso. O programa de capacitação não se limita apenas aos médicos, mas abrange toda a equipe interprofissional que atende às pessoas acometidas pela hanseníase no estado.
"Nós estamos fazendo o papel da Escola do SUS, além de formar médicos, nós também estamos formando a equipe interprofissional. Estamos na conclusão também da primeira turma de hansenólogos da equipe interprofissional, ou seja, enfermeiros, médicos, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, e outros profissionais", destacou Tomaz.
Para o presidente da SBH, Marco Andrey Cipriani Frade, que ministrou a aula inaugural, essa especialização tem importância singular devido à extensão territorial do estado e por alinhar-se às diretrizes preconizadas pela Sociedade Brasileira de Hansenologia.

"O Estado de Mato Grosso está na vanguarda porque realmente é um estado que está fazendo algo com bastante propriedade para a hanseníase, em buscar o controle desta doença. Tanto é que isso está refletindo nos números de casos, que aumentaram significativamente no estado, e que já eram grandes", afirmou Frade.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que foram registrados 4.359 casos de hanseníase em Mato Grosso no ano de 2024. Na avaliação de Frade, o aumento nos registros é um indicativo positivo do impacto da capacitação profissional, que está promovendo um novo olhar para o diagnóstico da doença.
"Estamos concluindo a terceira turma de especializandos. Nós já temos um número de especialistas de fato em hansenologia, com uma visão mais moderna, uma visão mais ampliada, no sentido de novas técnicas para se buscar o diagnóstico e até mesmo na condução dos casos em todas as regiões de saúde do estado, coisa que não havia há quatro ou cinco anos", explicou.
A médica de família Débora Faleiro Martins, que atende na Rede Municipal de Saúde de Cuiabá e está entre os participantes da nova turma, espera aprimorar suas habilidades diagnósticas através da capacitação.
"É um diagnóstico muito difícil de ser realizado. Nem sempre a hanseníase se manifesta da forma mais esperada da doença, que é aquela manifestação de manchas no corpo. Às vezes ela tem uma forma que é só neurológica, que torna o diagnóstico mais difícil", explicou a médica.
As aulas do curso serão ministradas por profissionais especialistas na área da hanseníase, consolidando o compromisso do estado com a formação de alta qualidade para enfrentar um dos principais desafios de saúde pública da região.