A corrida de rua, antes vista apenas como prática esportiva, vem ganhando status de movimento social e de saúde no Brasil. Em todas as regiões, pessoas de diferentes idades e estilos de vida se reúnem em busca de objetivos variados: emagrecer, reduzir o estresse, superar limites pessoais ou simplesmente sentir-se parte de uma comunidade.
“Primeiro vem aquele pensamento: ‘o que eu estou fazendo aqui?’. Depois, a gente vence a mente. É um processo de esvaziar os pensamentos ruins e encher o coração de esperança. Recomendo a todos”, diz.
Ela participa de um grupo que reúne centenas de corredores na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, liderado por Alessandro, conhecido como Mutante. Há 11 anos, ele pesava 143 quilos, era obeso mórbido e chegou a sofrer um princípio de infarto. A virada veio quando ouviu do médico que precisava emagrecer para viver.
“Comecei caminhando, depois passei a correr, e nunca mais parei. A corrida mudou minha vida”, conta o preparador físico.
Segundo Alessandro, embora seja um esporte individual, a prática em grupo potencializa resultados e fortalece vínculos:
“Muitos buscam esse sentimento de pertencimento. Estamos criando uma verdadeira família.”
Novas oportunidades além do esporte
A corrida também abriu caminhos profissionais. O fotógrafo Carlos Fernandes, que antes trabalhava com registros turísticos da orla carioca, descobriu um novo nicho ao especializar-se em imagens de corredores.
“Não é simples, porque exige captar o movimento perfeito, a passada no ar, a musculatura em ação. De cada pessoa, clico 20 ou 30 vezes até sair aquela foto única”, relata.
Paquera em movimento
Se para uns a corrida representa saúde e superação, para outros pode ser também um espaço de encontros. Solteiros criaram até um código: quem usa meia azul durante as provas sinaliza que está aberto a conhecer alguém.
“É uma brincadeira que pegou. A gente anota o número de peito e depois procura o nome no resultado da prova”, explica uma corredora.
O coração de um maratonista
O Instituto do Coração (InCor) acompanhou durante um ano o maratonista Hugo Farias, que entrou para o Guinness World Records ao completar 366 maratonas consecutivas. O estudo revelou a capacidade de adaptação do organismo às altas demandas físicas.
“O corpo aprende a responder ao treino. Corrida é disciplina e constância”, resume o pesquisador Francis.
Benefícios físicos e mentais
Médicos reforçam que a corrida auxilia no controle da pressão arterial, na prevenção do diabetes e no fortalecimento da saúde mental. Porém, os ganhos não são imediatos, como lembra Francis:
“No início, há dores musculares e a impressão de não evoluir. Mas, com um ou dois meses, a transformação aparece — e é aí que a magia acontece.”
Mais do que um exercício, a corrida de rua tornou-se um fenômeno que mistura saúde, socialização, superação pessoal e até romance. Uma prática democrática, acessível e capaz de transformar realidades.