Na prática, considera-se “resistente à platina” o tumor que retorna em até seis meses após o fim da quimioterapia tradicional. Nesses casos, as opções terapêuticas disponíveis até agora eram limitadas e pouco eficazes.
Evidências clínicas
A aprovação se baseou em um estudo internacional de fase 3, que acompanhou mais de 450 pacientes. Os resultados mostraram que o mirvetuximabe:
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reduziu em 35% o risco de progressão da doença,
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aumentou a sobrevida média para 16,5 meses, contra 12,7 meses no grupo com quimioterapia convencional,
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triplicou a taxa de resposta objetiva (redução de tumores), alcançando 42% contra 16% no comparativo.
Os dados foram apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e publicados no New England Journal of Medicine.
Teste é essencial para indicação
O tratamento só é indicado para pacientes com tumores FRα positivos, detectados por exame de imuno-histoquímica — já disponível em laboratórios brasileiros. “É fundamental realizar o teste para identificar quem pode se beneficiar”, destacou a oncologista Kathleen Moore, que participou da pesquisa.
Impacto no Brasil
O câncer de ovário é considerado o mais letal entre os tumores ginecológicos, em parte porque costuma ser diagnosticado em estágio avançado. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 7,3 mil novos casos por ano no país.
Segundo a oncologista Graziela Dal Molin, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), a aprovação representa um divisor de águas:
“Pela primeira vez em mais de 20 anos, um estudo mostrou ganho real em sobrevida global nesse cenário. É uma terapia inovadora que alia eficácia a menos efeitos colaterais, trazendo qualidade de vida para pacientes que antes tinham poucas alternativas”, afirmou.
Próximos passos
Nos Estados Unidos e na Europa, o Elahere já havia sido autorizado em 2024. No Brasil, ainda não há definição sobre sua inclusão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nem no Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas avaliam que a chegada do medicamento pode mudar o curso do tratamento do câncer de ovário resistente, oferecendo esperança inédita a uma parcela de pacientes que até então contava com opções limitadas e resultados pouco animadores.