Ondas de calor, insônia, alterações de humor, perda de libido e dificuldade de concentração. Esses sintomas, geralmente associados à menopausa em mulheres acima dos 50 anos, também podem surgir décadas antes do esperado. Quando ocorre antes dos 40, a condição recebe o nome de menopausa precoce ou falência ovariana prematura, e exige atenção especial por parte das pacientes e da comunidade médica.
Na época, médicos chegaram a considerar que a condição pudesse ser transitória, mas os exames mostraram atrofia nos ovários. “Foi muito frustrante. Passei por implantes, hormônios em gel e comprimidos, mas nada surtiu efeito duradouro”, lamenta Lidiana.
Causas possíveis
Segundo a ginecologista Maria Celeste Osório Wender, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), muitos casos de menopausa precoce são idiopáticos, ou seja, sem causa aparente.
Entretanto, alguns fatores são reconhecidos como gatilhos:
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Alterações genéticas ou cromossômicas;
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Histórico familiar de menopausa precoce;
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Cirurgias ginecológicas de grande porte;
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Tratamentos contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia.
A especialista ressalta que hábitos de vida não costumam influenciar no aparecimento da condição. “O único fator identificado é o tabagismo, que pode antecipar a menopausa em até dois anos, mas não de forma tão significativa”, explica.
Já a ginecologista Flávia Fairbanks, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, reforça que a intensidade dos sintomas varia conforme a forma como o processo ocorre. “Quando a menopausa chega de maneira abrupta, como após uma cirurgia, os sintomas são mais intensos e impactam diretamente a qualidade de vida da mulher.”
Sintomas que confundem
Na prática, os sinais são os mesmos da menopausa natural, mas em pacientes jovens podem gerar ainda mais insegurança. Entre eles:
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Ondas de calor e suor noturno;
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Secura vaginal, com dor nas relações;
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Diminuição da libido;
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Alterações cognitivas, como falhas de memória;
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Queda da qualidade do sono;
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Secura da pele e dos olhos.
A diferença é que mulheres jovens muitas vezes demoram a suspeitar da menopausa, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento.
Impactos a longo prazo
Além dos sintomas imediatos, a menopausa precoce eleva o risco de problemas de saúde crônicos.
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Osteoporose: a falta de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando a chance de fraturas graves.
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Doenças cardiovasculares: há maior risco de placas nas artérias, o que pode resultar em infartos ou acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
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Impactos psicológicos: sentimentos de frustração, baixa autoestima e até depressão podem surgir devido às mudanças físicas e emocionais.
Essas consequências tornam fundamental o acompanhamento regular com ginecologista e, em muitos casos, a reposição hormonal.
Tratamento e perspectivas
Apesar de não haver reversão para a menopausa precoce, os médicos indicam terapias hormonais personalizadas para reduzir os sintomas e proteger a saúde a longo prazo. Há ainda acompanhamento psicológico, fisioterapia pélvica e mudanças no estilo de vida que podem contribuir para o bem-estar.
No entanto, os resultados variam. No caso de Lidiana, nenhum tratamento trouxe melhora definitiva. “Hoje vivo com a frustração de ter investido em tantos métodos sem resultados. Meu corpo não produz mais hormônio algum e sigo enfrentando os sintomas”, desabafa.
Um tema pouco discutido
A menopausa precoce ainda é cercada de tabus e desconhecimento, inclusive entre mulheres mais jovens, que dificilmente imaginam que possam passar por isso. Especialistas reforçam a importância de campanhas de conscientização e da oferta de suporte psicológico e médico.
“É essencial que a sociedade entenda que a menopausa precoce não é apenas uma questão de desconforto físico. Ela impacta diretamente a saúde geral, a vida familiar e até os planos reprodutivos dessas mulheres”, destaca Flávia Fairbanks.