O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou na quinta-feira (30) que Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal a apresentar aumento no desmatamento no último ano. O levantamento do Projeto Prodes indica crescimento de 25,06% entre agosto de 2024 e julho de 2025, contrastando com a tendência de queda registrada nos demais estados da região.
Segundo o Inpe, o desmatamento total na Amazônia teve redução de 11,08%, alcançando a terceira menor taxa da série histórica iniciada em 1988. Os dados refletem o impacto de políticas ambientais mais rigorosas e da intensificação das ações de fiscalização.
Nos demais estados da Amazônia Legal, as quedas foram expressivas. Tocantins reduziu o desmate em 62,5%, seguido de Amapá (-48,15%), Acre (-27,62%), Maranhão (-26,06%), Amazonas (-16,93%), Pará (-12,4%), Rondônia (-33,61%) e Roraima (-37,39%).
Em nota enviada ao g1, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) ponderou que Mato Grosso “mantém uma redução significativa quando comparado à média histórica dos últimos dez anos”. O órgão afirmou ainda que o estado reduziu em 86% o desmatamento em relação ao pico registrado em 2004.
O Inpe destacou também que o Brasil registrou a menor taxa de desmatamento da Amazônia dos últimos 11 anos, resultado de medidas de controle e fiscalização conduzidas por órgãos federais como o Ibama e o ICMBio.
No Cerrado, o Prodes apontou taxa de 7.235 km² de áreas desmatadas, representando queda de 11,49% em relação ao período anterior. Esse é o segundo ano consecutivo de retração após cinco anos de alta entre 2019 e 2023.
De acordo com o Inpe, a expansão agropecuária e a abertura de novas áreas agrícolas continuam sendo os principais vetores de pressão sobre o Cerrado, bioma fundamental para o equilíbrio hídrico e climático do país.
As ações de fiscalização tiveram papel decisivo nesse cenário. O Ibama ampliou, entre 2023 e 2025, o número de autos de infração relacionados à flora em 81% na Amazônia, além de registrar aumento de 63% nas multas e 51% nos embargos. No Cerrado, o crescimento foi de 24% nos autos, 130% nas multas e 38% nos embargos, com 26% de aumento na área embargada.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também reforçou a presença em campo. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, realizou 312 ações de fiscalização na Amazônia, resultando em 1.301 autos de infração e 816 embargos. No Cerrado, foram 91 operações, com 402 autos e 218 embargos lavrados em unidades de conservação federais.
*Com informações do G1