As projeções otimistas sobre a produção de milho no Brasil se confirmaram com os dados levantados em campo pelas equipes do Rally da Safra. Segundo a Agroconsult, responsável pela expedição, a segunda safra deve atingir 123,3 milhões de toneladas – um avanço de 10,4 milhões em relação à estimativa de maio e 20,2 milhões a mais que o volume registrado na safra 2023/24.
A produtividade média nacional bateu recorde, alcançando 113,8 sacas por hectare. Inicialmente, a previsão era de 105 sacas, mas o cenário climático favorável e o bom desempenho das lavouras permitiram a revisão para cima. Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná registraram resultados históricos. Mato Grosso, por exemplo, deve colher 131,9 sacas por hectare – alta de 11,6% em comparação ao ciclo anterior.
Apesar do atraso no plantio, as chuvas regulares entre abril e junho foram determinantes para o desenvolvimento das lavouras. A ausência de geadas até o momento também contribuiu para o desempenho positivo. De acordo com o coordenador do Rally, André Debastiani, até mesmo as lavouras mais tardias deverão alcançar produtividade inédita, impulsionadas pela umidade prolongada no solo.
As análises de campo também confirmam o bom desempenho das lavouras. Houve um leve recuo na densidade de plantas em algumas áreas, como no oeste e sudeste do Mato Grosso, mas isso foi compensado pelo aumento no número de espigas e grãos por espiga. Apesar da alta infestação de lagartas, o controle fitossanitário mostrou-se eficiente, com impacto mínimo sobre a produtividade.
Além do bom desempenho das lavouras, a segunda safra foi impulsionada pela ampliação da área cultivada, que cresceu 5,7% em relação ao ciclo anterior, atingindo 18,1 milhões de hectares. A tecnologia da ferramenta Cropdata, da Agroconsult, foi essencial para o mapeamento preciso da área, que superou em 1,2 milhão de hectares os números oficiais da Conab.
Somada à produção da safra de verão, estimada em 27 milhões de toneladas, a produção nacional de milho deve alcançar 150,3 milhões de toneladas – um acréscimo de 21,3 milhões em relação à safra passada. Esse volume impõe desafios logísticos, especialmente no armazenamento. Há expectativa de que parte significativa da produção precise ser estocada a céu aberto, como já ocorreu em anos anteriores.
Do lado do consumo interno, o cenário é positivo. A demanda por ração animal dá sinais de recuperação após o controle da gripe aviária, enquanto o mercado de etanol de milho permanece aquecido. Com isso, o consumo interno deve chegar a 97 milhões de toneladas.
Já no mercado externo, a expectativa de exportações para o segundo semestre gira em torno de 44,5 milhões de toneladas. Contudo, fatores como o desempenho das safras dos EUA e da Argentina, além do cenário geopolítico internacional — em especial o conflito entre Israel e Irã, que afeta diretamente países compradores como o Irã —, podem influenciar esse volume.
Na etapa da segunda safra de milho, seis equipes percorreram lavouras em Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná entre maio e junho. Ao todo, a 22ª edição do Rally da Safra percorreu quase 104 mil quilômetros, avaliando 2,2 mil lavouras de soja e milho em 14 estados e no Distrito Federal. Foram 1,6 mil áreas de soja e 608 de milho visitadas, além de eventos técnicos e encontros com 349 produtores e especialistas.
A edição de 2025 do Rally da Safra terá uma novidade: o primeiro levantamento técnico sobre o cultivo de algodão. A pesquisa será feita nos estados de Mato Grosso e Bahia, os maiores produtores do país, e abordará temas como produtividade real, rastreabilidade, certificações, logística e desafios comerciais.
“Essa nova etapa será um marco para o setor algodoeiro, ao trazer dados mais precisos sobre a produção e sua evolução, além de apontar gargalos logísticos e de mercado”, afirma Debastiani. A programação inclui visitas a propriedades de referência, unidades de beneficiamento e eventos técnicos em Cuiabá (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA). Os resultados serão divulgados em setembro.