Enquanto isso, a cotação da soja na CME teve leve queda de 0,34%, encerrando a semana com média de US$ 10,59 por bushel. A diferença de US$ 1,91 por bushel torna a soja mato-grossense mais atrativa no cenário global. “Mesmo com a valorização interna, a competitividade do produto do estado segue em alta no mercado externo”, apontam os analistas do Imea.
Para referência, o bushel — unidade de medida padrão nos EUA — equivale a 27,21 quilos.
Óleo e farelo de soja: oscilações nos mercados interno e externo
Na CME, o óleo de soja teve desvalorização de 2,04% na última semana, encerrando a US$ 49,07 por libra-peso. O recuo está ligado à aprovação de um projeto de lei nos Estados Unidos que cria incertezas sobre os subsídios à produção e mistura de biocombustíveis.
Em contrapartida, o farelo de soja apresentou alta de 1,15%, negociado a US$ 293,49 por tonelada. O aumento reflete o temor de que as fortes chuvas na Argentina prejudiquem as lavouras e impactem a oferta global.
No mercado mato-grossense, o óleo de soja subiu 1,45%, atingindo R$ 5.882,90 por tonelada, impulsionado pelo aumento da demanda para biodiesel. Já o farelo teve queda de 0,87%, com média de R$ 1.658,90 por tonelada, em função da menor procura e da competição com outros concentrados proteicos.
Custo de produção sobe e exige atenção do produtor
De acordo com o projeto CPA-MT, o custo de produção da soja para a safra 2025/26 registrou alta de 0,63% em abril, alcançando R$ 4.144,69 por hectare. O principal fator foi a elevação de 3,37% nos preços dos defensivos agrícolas, que passaram a representar R$ 1.182,60 por hectare.
Por outro lado, houve recuo nos preços de sementes de soja (-1,01%) e de macronutrientes (-1,15%). O Custo Operacional Efetivo (COE) ficou em R$ 5.733,10 por hectare, representando um acréscimo de 0,46% na comparação com março.
Com esses valores, o ponto de equilíbrio — preço necessário para cobrir os custos — é de R$ 94,83 por saca. O Imea destaca que o ritmo de aquisição de insumos no estado está 7,04 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos, embora 8,44 p.p. acima da safra anterior.
Ainda assim, mais de 40% dos insumos da próxima safra ainda precisam ser adquiridos, o que exige atenção redobrada dos produtores. “Monitorar os preços e avaliar bem as oportunidades é fundamental para evitar aumento nos custos e garantir margem de lucro”, conclui o Imea.