O setor produtivo mato-grossense acompanha com atenção o ritmo das obras que vão redefinir o transporte de grãos nos próximos anos. A Ferrogrão e a continuidade da duplicação da BR-163, dois dos principais eixos logísticos do estado, avançam e podem representar economia histórica no custo de frete para os produtores de soja, milho e algodão.
A expectativa é que, com novos trechos pavimentados e a ampliação da capacidade de escoamento, as cargas deixem de depender exclusivamente dos portos do Sudeste e passem a fluir de maneira mais rápida em direção aos terminais do Arco Norte, especialmente Miritituba, no Pará.
Nos bastidores, técnicos do setor apontam que a combinação entre ferrovia e rodovia tende a reduzir gargalos enfrentados todos os anos, principalmente no período chuvoso, quando a BR-163 registra lentidão e filas de caminhões. A diminuição desses entraves pode elevar a eficiência logística e permitir que as exportações de Mato Grosso ganhem ainda mais competitividade no mercado internacional.
Além do impacto direto no bolso do produtor, o avanço das obras também é visto como motor para a instalação de novas tradings, armazéns e estruturas de processamento ao longo da rota. Municípios como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum devem se beneficiar da maior circulação de cargas e do fortalecimento da cadeia produtiva regional.
Especialistas destacam que o corredor Norte já responde por parte importante das exportações de grãos, e a tendência é de crescimento. Com a Ferrogrão operando em plena capacidade nos próximos anos, estima-se que o fluxo de cargas pelo Pará possa dobrar, descongestionando rotas tradicionais e encurtando distâncias até o mercado externo.
Para o agronegócio mato-grossense, que lidera a produção nacional de soja, milho e algodão, a modernização da infraestrutura de transporte é peça-chave para manter o estado competitivo. Enquanto as obras avançam, produtores seguem na expectativa por um sistema mais eficiente, com menor custo e mais segurança para o escoamento das safras.