O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2025 com desempenho positivo na balança comercial. Segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações somaram aproximadamente R$ 949 bilhões, enquanto as importações atingiram cerca de R$ 776 bilhões. O saldo comercial ficou em R$ 173,6 bilhões, com uma corrente de comércio de R$ 1,725 trilhão.
Boa parte desse resultado foi puxada pelo agronegócio, responsável por mais da metade das exportações brasileiras no período. O setor registrou cerca de R$ 520 bilhões em vendas externas, com destaque para soja, carne bovina, milho, café e suco de laranja. A China se manteve como principal compradora dos produtos do campo brasileiro, seguida por Estados Unidos, União Europeia e países do Sudeste Asiático.
Em segmentos específicos, o crescimento também foi expressivo. As exportações de ovos aumentaram 41,8% no primeiro bimestre do ano, somando 4.884 toneladas, impulsionadas pela crescente demanda global. As vendas de carne de frango tiveram alta de 0,5%, alcançando 2,6 milhões de toneladas no semestre. Já o farelo de soja bateu recorde, com 5,4 milhões de toneladas exportadas apenas nos três primeiros meses do ano — compensando a queda no preço do óleo de soja.
A China lidera entre os parceiros comerciais do Brasil, com compras que chegaram a R$ 109,5 bilhões no primeiro trimestre. União Europeia (R$ 61,4 bilhões) e Estados Unidos (R$ 53,7 bilhões) completam o pódio. Países como Argentina, México, Filipinas, Coreia do Sul, Países Baixos e Espanha também figuram entre os principais destinos das exportações nacionais.
Apesar dos bons números no campo, o desempenho da indústria brasileira foi mais desigual. Relatório da Amcham Brasil aponta retração nas vendas externas de setores como celulose, autopeças, motores e máquinas, especialmente em relação aos Estados Unidos. Parte das perdas é atribuída a novas barreiras tarifárias. A estimativa é que essas restrições possam gerar prejuízos de até R$ 36 bilhões nas exportações em 2025 e R$ 91 bilhões em 2026, além de reduzir o crescimento do PIB em até 0,5 ponto percentual.
O cenário atual, embora favorável em termos gerais, exige atenção e estratégia, principalmente para os produtores e exportadores brasileiros. A manutenção da qualidade dos produtos, a ampliação de mercados, a diversificação de destinos e o fortalecimento das relações diplomáticas e comerciais são medidas essenciais para garantir a competitividade do país diante de um ambiente internacional que começa a mostrar sinais de tensão, especialmente nos setores industriais.