A trajetória artística do músico cuiabano Jefferson Roberto Neves Ferreira ganhou um novo capítulo com a estreia na literatura. O artista lançou o thriller “O Portão do Inferno – Casos Arquivados”, publicado pela Entrelinhas Editora, reunindo cerca de 300 páginas de suspense psicológico ambientado em Cuiabá e na região de Chapada dos Guimarães.
Reconhecido no cenário musical como professor, regente, arranjador, compositor e cantor, Jefferson agora amplia sua atuação criativa ao mergulhar na narrativa literária. A obra foi construída a partir de pesquisas sobre crimes reais registrados na capital mato-grossense e acabou inspirando também uma minissérie audiovisual, lançada no dia 2 de março deste ano.
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De acordo com o autor, embora a história seja ficcional, muitos elementos do enredo foram baseados em casos verídicos ocorridos ao longo de décadas na cidade.
“É uma ficção, mas todas as histórias são baseadas em crimes reais. Pesquisei diversos casos que aconteceram em Cuiabá entre as décadas de 1940 e 2014. A partir dessa investigação, transformei esses episódios em um romance, que depois deu origem à série”, explicou.
A narrativa conecta acontecimentos do passado com o presente, tendo como ponto de partida crimes ocorridos nos anos 1940. No enredo, vítimas de atos violentos praticados por um grupo de assassinos buscam justiça décadas depois, em uma trama marcada por suspense e elementos ligados ao imaginário cultural da região.
O interesse pelo gênero não surgiu por acaso. Jefferson conta que desde jovem se sente atraído por histórias de mistério, investigação e terror psicológico, o que despertou o desejo de criar sua própria narrativa dentro desse universo.
Entre as referências que influenciaram o projeto estão autores consagrados do suspense, como Raphael Montes e Agatha Christie, além do trabalho dramático no audiovisual de criadores como Ryan Murphy. Para leitores que apreciam o gênero, o escritor recomenda o livro “O Jantar Secreto”, de Raphael Montes.
Outro fator que motivou a criação da obra foi a vontade de ambientar histórias desse tipo em cenários pouco explorados pela literatura e pelo audiovisual nacional.
“Sentia falta de ver histórias de suspense ambientadas em regiões do Brasil que ainda aparecem pouco nesse tipo de narrativa. Por isso quis situar a trama em Cuiabá e em cidades do interior de Mato Grosso, explorando paisagens e imaginários que fazem parte da nossa realidade”, destacou.
Livro inspira minissérie
O projeto literário acabou se expandindo para o audiovisual. A obra ganhou uma minissérie dirigida por Luiz Marchetti, com produção executiva de Daniela Arantes, direção de fotografia de Luiz Abramo e direção de arte assinada por Jeff Keese e Douglas Peron. O roteiro foi adaptado a partir do próprio livro.
Formado em música pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Jefferson também participou da criação da trilha sonora da produção.
“Compus a música de abertura ao piano e gravei com alguns amigos músicos. Foi uma experiência incrível participar desse processo”, contou.
Segundo o autor, livro e minissérie não apresentam exatamente a mesma narrativa, pois cada linguagem exige abordagens diferentes.
“A série não reproduz o livro de forma fiel. Embora seja baseada na obra, o romance é muito mais amplo, com vários outros casos e camadas de personagens que não foram levadas para a tela”, explicou.
Ainda assim, Jefferson considera que os dois formatos se complementam e ampliam a experiência do público.
“Gosto de pensar que são duas portas de entrada para a mesma história. A série apresenta esse universo de forma visual e dramática, enquanto o livro permite uma imersão maior, com mais detalhes e novos ‘casos arquivados’”, afirmou.
Elenco e apoio cultural
A produção audiovisual reúne principalmente artistas de Mato Grosso e conta também com a participação da atriz Maria Zilda, que interpreta a personagem Lucinda Porto, descrita pelo autor como uma das antagonistas mais complexas da trama.
A minissérie foi viabilizada por meio do edital nº 03/2023 da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), dentro do programa Cinemotion – Produção Audiovisual, com recursos da Lei Paulo Gustavo.
O projeto recebeu apoio de diversas instituições e parceiros culturais, incluindo secretarias estaduais, a Prefeitura de Cuiabá, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (ICMBio) e empresas locais ligadas ao setor cultural e audiovisual.
Para o escritor, acompanhar a adaptação da obra para a tela foi uma experiência marcante.
“Foi emocionante ver uma história que nasceu no silêncio da escrita ganhar vida no audiovisual. Como autor, é muito especial perceber que personagens que antes existiam apenas na imaginação agora têm rosto, voz e presença diante do público”, concluiu.